domingo, dezembro 24, 2006

História (Luiz Gonzaga Cortez)

Cascudo apoiou o regime militar

A revista Continente Multicultural (Documento), editada pelo Governo do Estado de Pernambuco, publicou em agosto de 2006, uma edição especial sobre Luís da Câmara Cascudo, tratando da vida e a obra do maior folclorista do Rio Grande do Norte. Uma edição belíssima com 46 páginas, com ensaios escritor por três professores da UFRN.

A revista tem uma edição impecável, textos agradáveis e concisos, sem os “rames rames” e elucubrações muitos comuns nos sítios acadêmicos do país. A publicação traz dois textos que registram a participação de Cascudo na Ação Integralista Brasileira, entre 1933/1937, as suas posições políticas conservadoras e a sua adesão ao regime militar instaurado em abril de 1964.

Aqui, no tocante ao apoio aos militares, é necessário reparos ao texto intitulado “O conservadorismo político” (p.18), onde o autor escreveu o seguinte: “É verdade que Cascudo não se manifestou explicitamente a favor do regime militar, mas no clima dos anos 70/80, para a esquerda e para aqueles que faziam parte da frente de redemocratização do país, aceitar, com a satisfação com que Cascudo aceitava, os agrados dos militares no poder, era algo imperdoável”. Não, quem assistiu e/ou tomou conhecimento de alguns acontecimentos pós-abril de 64, em Natal, quem freqüentou a Praça das Cocadas, no Grande Ponto, sabe muito bem que Luís da Câmara Cascudo se manifestou, explicita e publicamente, diversas vezes a favor do regime militar, em 1964, 1965 e anos seguintes.

A esquerda natalense sabia disso, desde os primeiros meses da implantação do regime discricionário. Cascudo cortejou e foi cortejado. Cascudo apoiou a campanha de arrecadação de ”ouro para o bem do Brasil”, comandada pelo jornalista Assis Chateaubriand, através da cadeia de jornais e rádios Associados, que, em Natal, teve a instalação festiva em pleno centro da cidade, num palanque armado na frente do prédio onde funcionou o antigo Hotel Ducal.

Cascudo discursou na solenidade (ou estou equivocado?) No dia 27 de novembro de1966, o Instituto Histórico e Geográfico do RN, comemorou o aniversário da “Intentona Comunista” de 1935 com uma conferência do general Antonio Carlos da Silva Muricy sobre “A guerra revolucionária no Brasil e o Episódio de Novembro de 1935”. A homenagem do IHG foi salientada pelo presidente da entidade, Enélio Lima Petrovich, pelo fato do general Muricy ter sido o autor, em 1963, da primeira insurgência pública “e em documento assinado, contra a agitação subversiva nos campos do Rio Grande do Norte”.

A saudação oficial foi de Luís da Câmara Cascudo, de improviso e está gravada, conforme informa a plaquete editada pelo Departamento de Imprensa do Estado. O general foi recebido com honras da tradicional casa de cultura, tornando-se, na ocasião, sócio honorário concedido na sessão de 9 de maio de 1964. Eu estava lá, levado pelos meus pais, ex-integralistas como Cascudo. E quem saudou o general? Foi Cascudo. O IHG publicou uma plaquete com a palestra do general e a saudação do maior intelectual potiguar ao homem forte do novo regime.

No dia 9 de agosto de 1973, na fase mais dura do regime militar, Cascudo discursou de improviso, como sempre o fez, no Salão Vermelho do Hotel Nacional de Brasília, para um seleto público e as maiores autoridades militares e civis da capital da República. Motivo: Cascudo recebia, na ocasião, o Prêmio “Henning Albert Boilesen” e fascinou, segundo uma testemunha feminina, as personalidades ali presentes, como o Almirante Hamann Rademacker Grünewald, Vice-Presidente da República, senador Jarbas Passarinho, Ministro da Educação e Cultura e o general João Baptista de Oliveira Figueiredo, chefe do gabinete militar da Presidência da República.

Boilesen, rico e poderoso empresário, dono do Grupo Ultra, teria sido um dos maiores financiadores da repressão policial aos comunistas que aderiram à luta armada contra a ditadura. Há ex-presos políticos que diz que Boilesen fiscalizava as instalações do DOI-CODI e da Polícia Civil de São Paulo, onde se torturavam os presos políticos, para verificar a aplicação dos recursos financeiros que angariava nos meios empresariais.

Nada demais para o “papa da cultura potiguar”, um homem da direita suave, que apoiou o regime militar assim como milhares de brasileiros apoiaram a derrubada do presidente João Goulart por causa do temor ao comunismo. Em Natal, apoiaram o golpe militar o governador Aluízio Alves, Dinarte Mariz, a Igreja, os evangélicos, maçonaria, empresários, prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais, senadores, agricultores, jornalistas (dos militares, a categoria recebeu um terreno para a sua sede, na rua Felipe Camarão, Centro). Quer mais? Pára, pára.

Luiz Gonzaga Cortez é jornalista e pesquisador.

Derrota de Agripino é vista como iminente

O influente Jornal do Brasil do Rio de Janeiro, em sua coluna “Informe JB“, dá como definida a disputa à presidência do Senado.

Segundo o artigo de abertura da coluna, na página 3 de hoje, 24, Primeiro Caderno, a reeleição do atual presidente Renan Calheiros (PMDB-AL) é certa.

“No Senado a situação está resolvida: Renan Calheiros já tem votos para se reeleger presidente da Casa. Só resta saber se o adversário, José Agripino Maia (PFL-RN), irá desistir ou insistirá na derrota em plenário”, comenta o JB.

Em entrevista ao final de semana, à imprensa de Natal, Agripino procurou minimizar o noticiário desfavorável. Garantiu que continua firme e em condições de vencer.

Crônica (David Leite)

Valdemar dos Passarinhos

Mudam as estações, mudam cenários. Com a chegada do inverno — além do frio que açoita impiedosamente — perdermos cá um cenário que a mim, particularmente, agrada bastante: os artistas de rua, com suas apresentações. Aos poucos eles se afastam de seus pontos. Sempre que podia, parava um pouco para observá-los. Alguns tocam instrumentos, outros fazem show com bonecos mamulengos. Enfim, na essência, são parecidos com os nossos. Mas, em verdade, em meio a essas similaridades, ainda não encontrei nada parecido com o nosso Valdemar dos Passarinhos...

Conheci Valdemar nos alpendres de Zé da Volta e tia Francisquinha, casal que sempre acolheu o artista com muito carinho e atenção. No entanto, não posso fazer referência a ele, Valdemar, sem associá-la à nossa ida ao Rio de Janeiro, quando o acompanhei para sua apresentação na Rede Globo de Televisão. Mesmo já tendo se passado um tempo considerável, vez por outra amigos me fazem contar a memorável viagem. Já nem consigo precisar bem a data, mas, aos aficionados por televisão, relembro que foi no primeiro programa Domingão do Faustão. Isso mesmo. Valdemar dos Passarinhos dividiu o palco de estréia do referido programa com Xuxa Meneguel, Gilberto Gil, Wando, além de outras atrações.

Tudo começou com um telefonema que, de início, pensei até que fosse brincadeira. Alguém, identificando-se como da produção da Rede Globo, disse que gostaria de saber se, por meu intermédio, poderia falar com Valdemar dos Passarinhos. Respondi que sim, mas que necessitaria de um tempo para localizá-lo. Uma hora depois já estávamos em novo contato. Houve um pequeno problema quando o pessoal da emissora falou que a viagem teria que ser feita por via aérea, pois o fato de um programa piloto haver sido agendado para dois dias depois, inviabilizava o ônibus, como meio de transporte, reivindicado por Valdemar. Acompanhei-o, portanto, como solução para o impasse.

Ficamos no aprazível hotel Glória. Tivemos, à disposição, carro e motorista para o artista conhecer os pontos turísticos desejados. Apenas dois pedidos: Cristo Redentor e a praia de Copacabana. Nos intervalos dos ensaios e gravações, fomos aos passeios. No Cristo não houve nada de extraordinário, além do alumbramento. Já no calçadão de Copacabana, temos registros. O primeiro foi o comentário dele (Valdemar), em forma de lamento, de não ter levado, seus instrumentos, para uma apresentação. O local e a grande circulação de pessoas foram avaliados como propícios para o evento.

— Rapaz, dava muito certo, não era não? Dava para ganhar um dinheirinho...

Seguimos caminhando e, em mera coincidência, encontramos o ex-governador Tarcísio Maia, que, com o ar de riso e de espanto, foi logo perguntando:

— O que esse artista mossoroense está fazendo por aqui?

— Vim me apresentar na Globo, doutor - respondeu o intrépido Valdemar.

De forma solícita, Dr. Tarcísio nos deu o seu endereço, disse que estava à nossa disposição e seguiu. Como Valdemar ficou meio calado depois da despedida, eu perguntei se ele realmente tinha reconhecido aquele com quem tínhamos conversado. Ele, meio cabisbaixo, respondeu:

— Claro que sim, era o “governador”, só tô achando ruim porque ele não me deu nem dez ...”.

Na Globo, encerrada sua apresentação, com imitações de pássaros de nossa fauna, tais como bem-te-vi, galo-de-campina, graúna, seguida da caracterização de sons de outros animais, com especialidade para o jumento, o bode, cachorro, e as imperdíveis imitações dos choros de meninos filhos de ricos e pobres, houve, pelo menos, dois pitorescos episódios de bastidores. O primeiro deles foi o diálogo travado entre Valdemar e Gilberto Gil. O cantor baiano contornou todo o teatro Fênix para abraçar efusivamente o nosso “rei dos pássaros”, e cobri-lo de elogios.

— Parabéns, Valdemar, o senhor é artista nato. Que beleza de apresentação...

Valdemar, que até então somente respondia com repetitivos, “sim, sim”, depois que o hoje ministro afastou-se, virou-se para mim e perguntou:

— David, quem é esse neguinho tão contente que veio falar comigo?

Outro comentário feito por ele, Valdemar, que me fez rir, disfarçadamente, foi em relação à beleza da então jovem e festejada Xuxa , que, em certo momento, ficou a poucos metros da gente. Em tom desdenhoso, disparou:

— Ela não é essas coisas, não...

Antes do Domingão do Faustão, vale ressaltar, levado pelos irmãos Expedito Amorim e Amorim Filho, ambos dos quadros da Rádio Bandeirantes de São Paulo, Valdemar já tinha tido oportunidade de participar de outros programas de audiência nacional, tais como Sílvio Santos, Som Brasil, Perdidos na Noite, além de uma histórica apresentação no Memorial da América Latina, que teve na platéia ninguém menos que o velho dirigente cubano Fidel Castro. De volta a Mossoró, questionado sobre suas impressões do El comandante, Valdemar não tergiversa para descrever seu assistente ilustre: “Ele é um soldadão dessa altura”, diz, estendendo o braço para cima.

Hoje, Valdemar não mais imita os passarinhos... Credita tal impossibilidade à “falta dos dentes”. As apresentações rareiam, com o peso da idade. Ainda circula pelas ruas de Mossoró na inconfundível bicicleta, que antes servia de transporte para ele percorrer as feiras de muitos municípios da região Oeste, como autêntico artista popular. Valdemar Gomes da Silva, esse paraibano da cidade de Patos, nascido em 1932, e incorporado, desde muito tempo, à geografia humana potiguar, é, indiscutivelmente, uma “figura folclórica” associada ao imaginário coletivo da multifacetada terra da Santa Luzia.

David Leite é professor da Uern e advogado - davidmleite@hotmail.com

Crônica (de Natal)

Obrigado, Papai Noel

Não tenho compulsão consumista. Menos mal. Por isso, nenhum estresse em perambular entre lojas diante de vitrines na meca do capitalismo: um shopping center.

Dou a mão à palmatória, porém, no encanto que mexe comigo ao ver uma criança em plena era da internet, vídeo-game, celular e outras maravilhas tecnológicas, se derramar de entusiasmo diante do bom velhinho. Há poucos dias fiz volver, para testemunhar de perto um encontro assim.

Excluindo-se o “oh, oh, oh!” tudo me pareceu mágico. Guardando distância, comovi-me com um inocente tchauzinho de quem tinha acabado de falar com o bom velhinho, em pleno Midway Mall, em Natal. Quanta sorte daquele garoto! Um sorriso daqueles não tem preço.

Na despedida, o olhar inundado de felicidade e o aceno que pareceu guardar toda a graça do mundo por aquele encontro. Integro discretamente o ambiente, pelo menos em alegria. Depois sigo em frente, carregando o peso da volta à realidade, mas agora fertilizado pela humanidade que às vezes falta ao meu cotidiano adulto, sem Papai Noel.

Não vou questionar a inadequação da veste encarnada, renas, trenó e chaminés à realidade sertaneja. Isso não interessa. Bobagem uma discussão nesse nível. O que salta aos olhos de uma criança é aquela magnificência, até que alguém denuncie sua verdadeira identidade ou o desmascare numa madrugada de Natal.

Comigo foi assim, meio chocante.

Descobri da pior forma possível que Papai Noel não era tão verdadeiro como Zorro, Tarzan, Batman e outros heróis. Meus ídolos eram imortais, povoavam o imaginário ilimitado e me faziam acreditar numa aldeia claramente dividida entre mocinhos e bandidos. Nesse universo, era fácil perceber quem representava o bem e quem se constituía no mal.

Sei lá que idade abrigava aquele corpo franzino, cabelo escorrido, olhos vivos e a esperança de ser lembrado por Papai Noel em mais uma noite de Natal. A inquietude serelepe desse menino ia se rendendo ao cansaço. À noite, nada do espocar de champanhes ou o estardalhaço da publicidade de massa que hoje testemunhamos. Parecia realmente existir um clima diferente no ar.

Minha preocupação era saber se Papai Noel entenderia as preces que eu fizera. Um parêntese: eu sabia orar? Bem, deixa pra lá. Não é hora também de se questionar a fé imberbe, tão remota, perdida no tempo.

- Vai dormir, Carlinhos... A ordem era expressa. Compreendi. Toque de recolher.

Autorama, Forte Apache... Huum! Será que tinham deixado a porta aberta, ou mesmo alguma janela, por onde Papai Noel entrasse com o presente? Quanto drama: suor frio, ansiedade, fala sincopada. Dormir? Eu? Nem pensar. Vou fingir. Cubro-me e fico na tocaia. Aguardo-o assim, encolhidinho, pensava.

O silêncio é entrecortado espasmodicamente. Vruuum!!! Mais um carro que passa à rua. E o trenó?

Desabei. Acho que tanta angústia pela espera me derrubara.

Passadas cadenciadas, tateando a escuridão, me acordam e denunciam que ele chegou. Com meu presente, claro. O coração, acuado, acelera. Os olhos teimam em não arriscar o flagrante tão esperado, rasgando a escuridão. Quanto medo, incompreensível temor. Paralisado, músculos enrijecidos, ouço sua respiração e um corpo quase se chocando contra o meu. Ossos estalam no movimento. Penso: bastava deixar meu brinquedo em cima da mesa. Quanto trabalho!

Relaxo o físico mirrado e passo a liberar lentamente os olhos... Ah, que droga! O vulto que forma um espectro, conhecido, se distancia de mim. Meu presente? O que importa agora? Durante mais alguns meses ou anos, continuei fazendo de conta que era filho de Papai Noel. Assim mesmo, obrigado pelo presente, meu pai.

Feliz Natal!

Carlos Santos

Poesia (Luís Campos)

Carta a Papai Noel

Seu moço eu fui um garoto
Infeliz na minha infância
Que soube que fui criança
Mas pela boca dos outo.
Só brinquei com os gafanhoto
Que achava nos tabuleiro
Debaixo dos juazeiro
Com minhas vaca de osso
Essa catrevage, sêo moço
Que a gente arranja sem dinheiro.

Quando eu via um gurizin
Brincando de velocipe
De caminhão e de jipe
Bola, revólver e carrin
Sentia dentro de mim
Desgosto que dava medo
Ficava chupando o dedo
Chorando o resto do dia
Só pruquê eu num pudia
Pegar naqueles brinquedo.

Mas preguntei uma vez
A uns fio de dotô
Diga, fazendo um favô
Quem dá isso pra vocês?
Mim respondeu logo uns três
Isso aqui é os presente
Que a gente é inocente
Vai drumí às vêis nem nota
Aí Papai Noé bota
Perto do berço da gente.

Fiquei naquilo pensando
Inté o Natá chegá
E na Noite de Natá
Eu fui drumi mim lembrando
Acordei fiquei caçando
Por onde eu tava deitado
Seu moço eu fui enganado
Que de presente o que tinha
Era de mijo uma pocinha
Que eu mermo tinha botado

Saí c’á bixiga preta
Caçando os amigos meu
Quando eles mostraram a eu
Caminhão, carro e carreta
Bola, revólver, corneta
E trem elétrico, até
Boneca, máquina de pé
Mas num brinquei, só fiz vê
E resolvi escrevê
Uma carta a Papai Noé.

Papai Noé, é pecado
Os outro se matratá
Mas eu vou le recramá
Um troço que tá errado
Que aos fio de deputado
Você dá tanto carrin
Mas você é muito ruim
Que lá em casa num vai
Por certo num é meu pai
Que num se lembra de mim.

Já tô certo que você
Só balança o povo seu
E um pobe qui nem eu
Você vê, faz qui num vê
E se você vê, porque
Na minha casa num vem?
O rancho que a gente tem
E pequeno mas le cabe
Será que você num sabe
Qui pobe é gente também?

Você de roupa encarnada,
Colorida, bonitinha
Nunca reparou que a minha
Já tá toda remendada
Seja mais meu camarada
Prêu num chamá-lo de ruim
Para o ano faça assim:
Dê menos aos fio dos rico
De cada um tire um tico,
Traga um presente pra mim.

Meu endereço eu vou dá,
Da casa que eu moro nela
Moro naquela favela
Que você nunca foi lá
Mas quando você chegá
Que avistá uma paióça
Cuberta cum lona grossa
E dois buraco bem grande
Uma porta véia de frande
Pode batê que é a nossa.

Luis Campos, poeta mossoroense

Reflexão

Oração do Século

Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa comunicação.

Onde tantos enviam bombas e destruição, que eu leve uma palavra de união!

Onde tantos procuram ser servidos, que eu leve a alegria de servir!

Onde tantos fecham a mão para bater, que eu abra meu coração para acolher!

Onde tantos adoram a máquina, que eu saiba venerar o homem!

Onde tantos endeusam a técnica, que eu saiba humanizar a pessoa!

Onde a vida perdeu os sentidos, que eu leve o sentido de viver!

Onde tantos me pedem um peixe, que eu saiba ensinar a pescar!

Onde tantos me pedem um pão, que eu saiba ensinar a plantar!

Onde tantos estão sempre distantes, que eu seja alguém sempre presente!

Onde tantos sofrem de solidão que faz morrer, que eu seja o amigo que faz viver!

Onde tantos morrem na matéria que passa, que eu viva no espírito que fica!

Onde tantos olham para a terra, que eu saiba olhar para o céu!

Padre Atílio Hartmann. S. J.

sábado, dezembro 23, 2006

Wilma e Garibaldi têm encontro formal

Depois da solenidade da Justiça Eleitoral na terça, 19, no Centro de Convenções em Natal, a governadora reeleita Wilma de Faria (PSB) e o seu adversário Garibaldi Filho (PMDB), senador da República, voltaram a se encontrar.

O fato registrou-se em uma casa de recepções na capital nessa sexta, 22. Wilma e Garibaldi trocaram cumprimentos cordiais e conversaram por poucos minutos.

Eles eram convidados de casamento de um filho do deputado federal e vice-governadora eleito Iberê Ferreira de Souza (PSB).

Na solenidade de terça, um mal-estar pairou no ar com discurso da governadora, considerado inoportuno no seu conteúdo, para o evento protocolar. Ela demarcou sua vitória como superação contra recalcados. À imprensa, Garibaldi avaliou o enfoque como desnecessário.

Manoel de Brito é sondado à Segurança do RN

O ex-titular da Segurança Pública do RN e ex-deputado Manoel de Brito, natural de Jardim do Seridó, foi sondado para ser o próximo titular da pasta no RN. A governadora Wilma de Faria (PSB), segundo fontes do Centro Administrativo do Estado, fizera a sondagem diretamente.

Brito não aceitou integrar o governo Wilma na segunda gestão, a partir do próximo ano. Ele foi secretário durante gestão do governador José Agripino (PFL). Na mesma velocidade, está surgindo a cartada do coronel Marcondes Pinheiro, atual comandante Geral da Polícia Militar.

O atual secretário, Glauberto Bezerra, não continuará na pasta. Ele está impedido por recomendação do Conselho Nacional do Ministério Público, do qual faz parte. O colegiado não quer nenhum componente do MP assumindo cargos nessa esfera.

Com informações do www.agorasei.com.br (www.marcosdantas.zip.net)

Situação de José Agripino está complicada

Pelo que noticia a Folha de São Paulo, o tempo fechou realmente para o senador José Agripino (PFL), candidato à presidência do Senado.

Veja dois registros sobre o assunto, afixados hoje na Coluna Painel, da Folha:

Cálculo 1. O PSDB está com um pé fora da candidatura de José Agripino (PFL-RN) à presidência do Senado. Alega que respeitará a tradição de destinar o cargo à maior bancada. No caso, a do PMDB de Renan Calheiros (AL).

Cálculo 2. Tasso Jeireissati (CE) e Arthur Virgílio (AM) foram incumbidos de informar a posição do PSDB ao pefelista. Com as pretensões de Agripino dificultadas uma vez anunciado o apoio do PDT a Renan, os tucanos apostam agora na manutenção de seus quatro cargos na Mesa.

Papangu em festa

Revista cultural e de humor acontece antes do Natal

Feliz ano velho. Exatamente. Feliz ano velho. Este o título do Troféu Papangu de dezembro que aparece nas bancas antes do Natal, no número 35 da revista de humor e cultura "Papangu". Feliz ano velho. Dedicado à velha prática dos políticos sabidões deste país e Estado. Mais especificamente àqueles nada bestas parlamentares que tentaram o golpe do aumento salarial próprio de 91%.

Enquanto isso o povo continua com o pé na lama. O trabalhador brasileiro se afundando na miséria com trezentos e cinqüenta reais. Feliz ano-novo apenas para esses espertalhões da política, profissionais da mentira. Caras-de-pau. Tudo continua como dantes. Por isso feliz ano velho. Perfeitamente. Feliz ano velho.

No rol de colaboradores fixos o mesmo nível de excelência. Tem Alexandro Gurgel em seu Grande Ponto. Túlio Ratto com a Ratoeira, A Radiola do doutor Damião Nobre, Autores & Obras do Carlos Meireles, A Sétima Arte de Raildon Lucena, O Contraponto de Antônio Alvino, Pei-Bufo com Amâncio e Edmar Viana e muito mais.

Feliz Papangu.

Saúde quer efetivação de agentes

O Sindicato dos Servidores da Saúde em Mossoró articula movimento de pressão contra a Câmara Municipal.

A entidade defende interesses dos Agentes de Endemias, contestando projeto para realização de concurso público empinado pela Câmara Municipal.

A indignação que move esse segmento é justificável. Ele quer tratamento isonômico aos 13 servidores não-concursados do legislativo, que através de projeto do presidente Júnior Escóssia (PFL), garantiram efetivação no quadro funcional da câmara, sem concurso. Um porém: o Ministério Público está reagindo à decisão e pode embaraçar legalmente esse poder.

Esse tipo de movimento era esperado. E é provável que aconteça com outras categorias, em face do flagrante favorecimento, ilegal, promovido pela Câmara Municipal de Mossoró recentemente.

Estádio Nogueirão deve ser municipalizado

O estádio Manoel Leonardo Nogueira, “Nogueirão”, campo oficial de futebol que desde o final dos anos 60 é o principal endereço esportivo de Mossoró, deverá ser municipalizado.

Entre dirigentes de clubes profissionais e amadores, que fazem parte da Liga Desportiva Mossoroense (LDM), entidade gestora do estádio, o assunto é dado como certo e há ponto consensual para a decisão.

Uma assembléia da LDM já está marcada para o dia 26, terça, às 19h, na própria sala da diretoria da entidade, no estádio. A municipalização está em pauta.

Na Prefeitura de Mossoró, governo Fafá Rosado (PFL), não existe bloqueio à idéia da municipalização. Desde a gestão anterior da senadora eleita e ex-prefeita Rosalba Ciarlini (PFL), que o município investe no estádio.

Com a chegada à Gerência Executiva da Juventude, do Esporte e Lazer, cronista esportivo Lupércio Luiz, a municipalização tem mais uma voz de apoio. O próprio marido da prefeita, deputado eleito Leonardo Nogueira, filho do patrono do estádio, Manoel Leonardo, é simpático à proposta.

Sem o apoio da prefeitura, a LDM não tem como manter o Nogueirão, que já recebeu cerca de R$ 2 milhões de aporte financeiro desde 2004. Restauração, conservação e melhorias do equipamento esportivo não param, sob a batuta do governo municipal.

Assu brinca com seu Plano Diretor

Seguindo a linha pouco caso que norteia parte considerável dos administradores públicos do país, só ontem à noite, o prefeito assuense Ronaldo Soares (PP) protocolou na Câmara Municipal o projeto de Plano Diretor para o município.

Segundo o Estatuto da Cidade, esse é um documento necessário e obrigatório, para o pleno desenvolvimento planificado das maiores comunas do país. Com data para ‘apreciar’ e votar a matéria até o final do ano, o legislativo é encurralado com algo de enorme seriedade, devendo aprová-lo sem sequer conhecê-lo de verdade.

Assu, que está com crescimento empacado há anos, ignora a importância do Plano Diretor. Deve pagar um preço alto por tamanha irresponsabilidade.

Em sessões extraordinárias na próxima semana, a Câmara de Vereadores vai votar às pressas o projeto. Difícil será algum vereador dissertar sobre o assunto, após a votação. Pobre Assu!

sexta-feira, dezembro 22, 2006

PMDB costura fortalecimento em Mossoró

Verdadeira grife no leque partidário brasileiro, não obstante sua afeição doentia pelo poder a qualquer preço no plano nacional, governo a governo, o PMDB continua atraente.

Em Mossoró, a legenda está à deriva desde a metade de 2005. Quando o grupo da deputada federal Sandra Rosado (PSB) resolveu se livrar da sigla, para aderir ao governo Wilma de Faria (PSB), o PMDB ficou sendo “reparado” por históricos e noviços ávidos pelo comando.

Mas passadas as eleições deste ano, a tendência é que o Diretório Estadual do partido dessa feita evite o erro crasso de “arrendá-lo”, como fez durante cerca de 20 anos em favor dos Rosados.

Há uma corrente histórica querendo sua direção, mas o comando estadual pensa mais alto. Deseja alguém à sua frente que possa representar apetite e habilidade a fortalecê-lo, com vistas às eleições municipais e às disputas de 2010. O PMDB aposta, no mínimo, na indicação do vice na chapa da atual prefeita Fafá Rosado (PFL).

A acomodação PFL/PMDB em Mossoró não enfrenta tantos problemas como num sem-número de municípios no RN, onde a arenga histórica não pára. Pefelistas e peemedebistas mossoroenses revelam muita afinidade.

Nessa acomodação de interesses, o que não deverá faltar é novo contingente de chorões, gente sem peso eleitoral a ser descartada na hora das conversas e montagens de chapas. É aguardar e conferir o que este Blog preconiza.
Anote, por favor.

"Abraço" em Natal causa apreensão

A mobilização que o prefeito natalense Carlos Eduardo Alves (PSB) prepara para amanhã, às 9h, em Ponta Negra, promete causar muito mal-estar.

O “abraço ao Morro do Careca”, contra a construção de edifícios no entorno desse símbolo do RN, está causando rebuliço nos intramuros do poder em Natal.

Em contraponto, os construtores que duelam na Justiça contra a prefeitura, avisaram que farão um abraço também. Há temor de que ocorram confrontos entre as duas alas.

Milhões de dólares estão em jogo. E quando a parte mais sensível do corpo é afetada, ou seja, o bolso, saia da frente.

Chances de Agripino vão desaparecendo

A candidatura do senador José Agripino Maia a presidente do Senado está inviabilizada. Agripino contava com os votos dos partidos de oposição ao Governo Lula para se eleger. Conseguiu o apoio do PSDB, mas não obteve o apoio do PDT nem do PMDB, lembra o blogueiro Oliveira Wanderley (www.oliveirawanderley.zip.net).

Mas nem mesmo o PSDB manterá seu apoio a Agripino. Muitos tucanos tendem a votar em Renan Calheiros. Dentro da própria bancada do PFL, partido de Agripino, existem senadores que votarão em Renan Calheiros.

É que alguns senadores pefelistas querem garantir algum lugar na Mesa Diretora e sabedores que as chances de Agripino são mínimas já se movimentam para garantir espaço junto a Renan.

José Agripino, no entanto, ainda acredita em milagre. Ele declarou à Tribuna do Norte, edição desta sexta-feira, que sua candidatura não esta inviabilizada. Mas reconhece que a decisão do PDT e do PSB de votar em Renan Calheiros enfraquece sua postulação. “Mas isso não inviabiliza minha candidatura”, frisou o senador potiguar.

TCM mostra diplomação de eleitos

A TV Cabo Mossoró (TCM) apresenta a partir das 19h de hoje, programa especial focalizando a diplomação dos eleitos no RN – e seus suplentes – nas eleições deste ano.

O material foi coletado durante a solenidade de diplomação na terça, 19, em Natal, no Centro de Convenções.

Discursos, entrevistas e imagens em geral do evento marcam o programa no Canal 10.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

COLUNA DO HERZOG (Segunda Edição)

BIG BLOG

CANDIDATURA – Dirigente do Detran em Mossoró, o ex-vereador Nogueira de Dodoca avisa que está ensaiando retorno à Câmara de Vereadores. Entretanto, em conversa com este blogueiro, pondera: “Se ‘Tia Ciça’ for candidato, eu não serei”. Ele se refere à atual interina na Câmara Municipal, Cícera Nogueira (PSB), sua tia. Na última campanha, com a numerosa família dividida, ninguém se elegeu.

EXAGERO – A Rede Globo fez estardalhaço com operação da Polícia Federal, em Pernambuco, que prendeu um prefeito e seu irmão, acusados de desvio de pouco mais de R$ 2 milhões. Uma merreca. No dia que enxergarem o RN com mais atenção, é que veremos a realidade que não chega às primeiras páginas da mídia.

RINCÃO – O atraso a que Mossoró está submetida, no quesito mentalidade político-administrativa, chega ao nível do ridículo. Um barzinho no centro da cidade recebe cadeiras ‘emprestadas’ de um empreendimento de ‘turismo’ do município, além de dois cavaletes interditando a rua, com a informação seguinte: “Homens trabalhando”. Esse tipo de procedimento não combina sequer com rincões sertanejos, imagine com um município com mais de 230 mil habitantes e receita/mês acima dos 13 milhões de reais. A gente merece. Bem feito.

NO EMPURRA – É fácil perceber na cobertura de setores da imprensa da capital, que o processo de “empurra”, forçando a barra para a governadora nomear esse ou aquele indivíduo, está ficando quixotesco. Parece que não conhecem Wilma Maria de Faria o suficiente. Ela não costuma engolir ‘corda’.

DA REDAÇÃO

- O nível de aluguel de imóveis em Tibau, a 48km de Mossoró, está chegando a valores irreais. Temporada com menos de dois meses, há quem pague até R$ 5 mil. Essa turma gosta de sofrer. Bem feito.
- A TV Tropical está ampliando sua cobertura na região de Mossoró. Está há algum tempo com dois repórteres fixos na sucursal.
- Natal está em festa com seu “Auto de Natal”, apresentado no Anfiteatro da capital pela primeira vez nessa quinta, 21. De “lambuja”, ainda houve show de Fagner. Na sexta, outra apresentação, além da cantora Simone. Demais! Sábado será a vez de Elba Ramalho.
- Mais de dois anos sob construção e o consumo de mais de 25 milhões de reais, o Presídio Federal de Campo Grande, em Mato Grosso, foi inaugurado nessa quinta. O secretário de Justiça do RN, Leonardo Arruda, foi um dos convidados presentes à inauguração. O de Mossoró sairá no primeiro semestre de 2007. Excelente obra.

PENSANDO BEM...

"A ação nem sempre traz felicidade, mas não há felicidade sem ação". (Benjamin Disraeli)

Municípios se esforçam para pagar 13o salário

A Confederação Nacional dos Municípios realizou pesquisa em todo o Brasil para avaliar o número de municípios que devem atrasar o 13º salário.

No Rio Grande do Norte, a pesquisa constatou que das prefeituras que pagam o 13º em uma única parcela, 79,31% disseram que o pagamento seria efetuado até o dia 20 de dezembro como determina a lei.

Pelo menos 10,34% admitiram que iria haver atraso em conseqüência da queda no repasse de recursos do Fundo de Participação. No caso do pagamento em duas parcelas, 4,3% admitiram que pagariam com atraso.

Quanto à folha de pagamento de dezembro, 77,27% dos municípios consultados pelos pesquisadores informaram que o pagamento seria feito em dia e 22,73% admitiram atrasar.

Do saite www.agorasei.com.br

Rogério depois assumirá secretaria de Wilma

O deputado federal eleito e presidente da Câmara de Natal, Rogério Marinho (PSB), nome inclinado à disputa à Prefeitura da capital em 2008, vai mesmo assumir o mandato em Brasília.

No almoço que ofereceu à imprensa e demais vereadores num restaurante de Natal, ontem, Rogério disse em reservado grupo de interlocutores, de sua disposição de ser deputado. Não descartou que venha a assumir uma secretaria de Estado mais adiante.

Na verdade, Rogério conseguiu dobrar a governadora Wilma de Faria (PSB) para esse primeiro momento. Ele é seu nome preferencial para concorrer à Prefeitura de Natal em 2008. Wilma ensaiava convocá-lo para uma pasta no novo mandato. Tende a fazê-lo, mas somente um pouco além dos primeiros meses de 2007.

Nota deste Blog: Rogério, com quem conversei, tem razões naturais para querer ser deputado federal. Afinal de contas, participou de uma campanha disputadíssima com esse fim. Além disso, há um componente adicional o levando à Capital Federal. Seu avô, já falecido, Djalma Marinho, foi por longos anos detentor de mandado na chamada Baixa Câmara.

Comunicado final deste Blog Jornalístico

A partir de hoje, um novo endereço na Internet responde pelo trabalho jornalístico que procuro desenvolver neste universo virtual. Depois de...