quarta-feira, fevereiro 07, 2007

COLUNA DO HERZOG (Primeira Edição)

Reforma? Que reforma?

O Brasil chegou a contabilizar em pouco mais de 25 anos de pluripartidarismo, pós-regime militar, cerca de 100 partidos políticos. Hoje sobrevivem uns 30. Por enquanto. Mas algumas novas legendas devem aparecer, germinando do nada.

Políticos novatos e outros mais calejados terminaram a campanha eleitoral de 2006 asseverando como necessidade, inadiável, uma reforma político-partidária para o Brasil. Seria algo de urgência urgentíssima. Os primeiros dias de 2007 revelam que a lufada moralista, como uma borrasca do hemisfério norte, está passando.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reordenou ontem a distribuição do Fundo Partidário, dinheiro público, ou seja, do contribuinte, penalizando duramente os grandes partidos. Nanicos sérios e microscópicas siglas de aluguel estão no nirvana. Vão participar diretamente do banquete de um bolo anual superior a R$ 140 milhões.

Depois da queda da exigência da cláusula de barreira, limitando existência de partidos ao alcance de metas eleitorais, tudo venta em favor da continuada desmoralização do modelo partidário brasileiro. Na realidade, a elite política do país não quer mudanças sérias, radicais e saneadoras. Sempre trabalha para fazer ajustes capciosos que mantenham sua sobrevivência.

O ambiente precisa ser pantanoso, ambíguo e vacilante para preservar uma récua de delinqüentes, que desvirtua a representação democrática em vigência no Brasil.

Não é a quantidade de partidos que depõe contra a democracia. O que pesa contra o sistema, é a impunidade. Não há sequer um dirigente partidário preso por vender a sigla no bazar eleitoral nativo.

Na Itália, existem mais de 60 siglas oficializadas e por lá partido é coisa séria. Aqui não ganha esse status porque tem sentido de associação para o crime e, não, de confraria com fins políticos e sociais.

A reforma não sai. A maioria não quer. De novo devem fazer remendos que tornem o cenário ainda mais inóspito para as pessoas de bem.

PRIMEIRA PÁGINA

CENTRALIZANDO – Numa rápida espiada na equipe que toma posse hoje, a serviço do governo Wilma de Faria (PSB), é fácil perceber que apesar de ter loteado o poder com indicações de aliados, segurou à mão setores estratégicos. Na verdade, a governadora repete o que sempre fez. Em sua passagem pela Prefeitura de Natal em três mandatos, também foi assim. Administração, Planejamento, Finanças etc não fogem ao seu olhar direto. Além disso, Wilma é conhecida pelo seu centralismo e plena exigência às ordens que emanam de sua caneta.

DIFICULDADE – “O presidente nacional da OAB, Cezar Britto, anunciou em Porto Velho (RO), que na próxima reunião do colégio de presidentes de seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil, dia 2, em Brasília, será realizada juntamente com os presidentes das comissões de exame de Ordem de todo o País. O objetivo é dar prioridade máxima à busca pela melhoria na qualidade dos cursos jurídicos em funcionamento no Brasil. ‘Não estranhem se faculdades de Direito de péssima qualidade forem fechadas nos próximos dias’, afirmou Cezar Britto, ao ser questionado sobre os índices alarmantes de reprovação nos exames e sobre a baixa qualidade da formação oferecida por alguns cursos jurídicos”. Essa nota é publicada hoje na coluna de Cláudio Humberto. Excelente a posição da OAB nacional.

ORDENS – Falando agora há pouco no Auditório da Emater, empossando sua nova equipe, a governadora Wilma de Faria afirmou que deseja “o envolvimento de todos”, com cada um se mexendo na apresentação “de projetos”. Avaliou que agora, ao contrário do início da primeira gestão, pega “a casa arrumada”. E prometeu cobrar “resultados rápidos” a cada um. A começar pela contenção de despesas.

EXPERIÊNCIA – Nascido em Santo Antônio do Salto da Onça e assumindo Mossoró como endereço há uns 30 anos, o multifário (jornalista, advogado, professor...) Crispiniano Neto chega à presidência da Fundação José Augusto (FJA) assentado em larga experiência. Crispiniano tem grande envolvimento com a cultura, do teatro à literatura de cordel. Mas terá pela frente, pela primeira vez, o comando de uma engrenagem complexa e burocrática.

GERAIS

- O carnaval em Areia Branca promete justificar sua tradição este ano, numa promoção da Prefeitura Municipal. A festança terá início logo no dia 15, indo até a quarta-feira de cinzas.
- A pista dupla em pavimentação asfáltica que o governo da prefeita Fafá Rosado (PFL) vem fazendo em Mossoró, cortando os conjuntos Abolição III e IV, no destino de Alagoinha, é uma obra de pouca divulgação, mas grande importância. Valoriza o setor imobiliariamente e melhora bastante o tráfego.
- O jornalista e escritor Franklin Jorge já se instalou em endereço próprio em Mossoró. Em poucos dias deve estrear editando caderno cultural no semanário Jornal Página Certa (http://www.jornalpaginacerta.com.br/). Seja bem-vindo, meu caro.
- Obrigado à leitura deste Blog ao psicólogo Fred Costa, estudante de Direito João Victor Martins e ao dirigente radiofônico Ângelo Fernandes.

SÓ PRA CONTRARIAR

Qual, afinal, o projeto de governo de Wilma de Faria?

Um comentário:

Anônimo disse...

Amigo Carlos Santos,
Não existe em nosso País, a verdadeira formação política partidária. É comum na "mídia" a divulgação de político "A" deixar o Partido "B" para filiar-se ao Partido "C" por motivos até certo ponto "banais". Um dia lendo o seu "Blog" uma pessoa lhe confidenciou que "fulana de tal" estava com pretensão de ser canditada a Vereadora de Mossoró, mas ainda não sabia qual iria ser o Partido. Portanto caro "Blogger" acho muito difícil a Reforma Política ser aprovada em nosso País.
Um grande abraço
Borjão

Comunicado final deste Blog Jornalístico

A partir de hoje, um novo endereço na Internet responde pelo trabalho jornalístico que procuro desenvolver neste universo virtual. Depois de...