segunda-feira, agosto 07, 2006

COLUNA DO HERZOG (Primeira Edição)

Dêem-se ao respeito! (I)

1994. Nos estertores de sua agitada vida, o ex-deputado federal Vingt Rosado, já cego, esvaindo-se num leito de hospital, chama seu fiel companheiro, o faz-tudo e ex-atacante de futebol Etevaldo, para lhe passar uma ordem:

- Veja quanto é e pague meu plano de saúde; não quero morrer devendo a ninguém...

Dias depois, com o plano de saúde em dia, Vingt realmente morre.

A cidade sepultou quem foi extremado em tudo: no amor e no ódio. Acima dos sentimentos excludentes e de tamanha amplitude, Mossoró lhe prestou uma homenagem também larga. No patrimônio material do “doutor Vingt”, como a ralé o tratava em reverência, quase nada ficara, apesar da longa trajetória.

Após quase 50 anos de vida pública, o ex-deputado acumulara um carro Chevrolet Monza caindo aos pedaços, velho casarão à Rua Dionísio Filgueira no centro, ações numa rádio e jornal, algumas merrecas em conta corrente, além de fazenda sem maior aproveitamento em Felipe Guerra.

2006. Passados mais de 12 anos da morte de uma das referências da família Rosado, a cidade começa a se perguntar se está esgotada a seiva de devoção altruísta desse clã a Mossoró. A pergunta fica no ar diante de um elenco de situações, onde o que se forma é o espectro da incorreção.

Sem que isso pareça prejulgamento, é impossível não se fazer pelo menos comparativo entre os Rosados de hoje e seus antepassados, figuras do tempo da política radical, feita às vezes no desaforo, mas com têmpera. Será que a herança atávica foi corroída por outros valores, em que prevalece o espírito do vale-tudo?

Entre denúncias de sanguessugas e o empreguismo parasitário, não se sabe onde possa estar concentrada a maior chaga contemporânea dos Rosados, que incide direta e negativamente sobre a sociedade. Quem paga o alto preço do surgimento desses bolsões de impropriedades, é a cidade da gente, que muitos dizem adorar e outros até prometem se transformar em guerreiros a defendê-la.

Com tanta impureza vindo à tona, é difícil se acreditar que a família de irmãos numerados não tenha se transformado num exército de vermículos numerosos e onerosos, ao erário. O odor que exala desses episódios não é do suor laborioso e, sim, da infame transformação da empresa pública num ente privado e privativo.

Vai-se construindo em contraponto ao passado, onde a família era formada por empreendedores, a idéia de que a política converteu os herdeiros da labuta em amantes das facilidades. Nos últimos 20 ou 30 anos, raros foram os rebentos que se destacaram na atividade produtiva pelo próprio esforço e talento. Muitos prosperam num inusitado “capitalismo sem riscos” a partir da barriga do poder estatal.

Há quem provoque, dizendo, que o mais competente deles não conseguiria se arranjar na iniciativa privada, sob o monopólio da Coca-cola, em pleno verão de Copacabana.

O rigor com a família não deve ser exceção entre os justos. Até entre bárbaros, a regra costumava ser duplamente pesada com os do mesmo sangue. Dá para recordar a passagem do clássico “Oração aos Moços”, discurso de Rui Barbosa aos formandos da Faculdade de Direito de São Paulo, em 1922.

O mestre lembrava de Canuto, chefe vândalo (povo que devastou o sul da Europa na antiguidade). Sabendo da prisão por seus homens de um grupo de ladrões, e diante de alguém que se dizia “parente d’el Rei”, ele não amoleceu: “Se provar que é nosso parente, que lhe façam a forca mais alta”. O celerado foi enforcado na árvore mais imponente do lugar.

Dêem-se ao respeito! Mossoró não merece isso.

PRIMEIRA PÁGINA

DIA DE CÃO – Em sua peregrinação à cata de apoios em seu principal colégio eleitoral, Mossoró, a deputada estadual Ruth Ciarlini (PFL) tem passado maus bocados. Há poucos dias, uma “aliada” a expulsou de casa aos berros e ainda prometeu soltar um cachorro rabugento sobre a parlamentar, se ela insistisse em pedir voto.

SEM GRAÇA – Do outro lado, a vida também não é fácil. Num almoço promovido pela governadora Wilma de Faria (PSB) com lideranças de todo o Estado, um prefeito pôs-se a brincar querendo quebrar a monotonia do ambiente e, sem perceber, causou mal-estar. “Eu tentei trazer para Natal uma pessoa que estava passando mal na estrada, mas ela disse que não viria comigo. Ia esperar a Ambulância dos Sanguessugas”, narrou às gargalhadas. As deputadas Sandra e Larissa Rosado (PSB) fecharam a cara diante do gracejo inoportuno.

DE VOLTA – Apesar de sua competência, zelo e correção no trato familiar, “Conceição” foi orientada a voltar ao país às pressas. Às vezes fico a me perguntar, como ela consegue receber sua remuneração mensal em Mossoró, trabalhando tão longe do país, em “missão diplomática” determinada pelo “Mundo Mágico de Nós”. Decifra-me ou te devoro.

SUCESSO – No vizinho Ceará, que exporta um jeito bem-humorado para o país, certo candidato às eleições deste ano está fazendo o maior sucesso, parodiando músicas de grande apelo popular. A versão mais pedida é a que diz assim: “Você não vale nada, mas eu voto em você (...). Cairia como uma luva, cirúrgica, em certos políticos norte-rio-grandenses.

SEM JOÃO – No trânsito de minha atividade escolar, deparo-me com a casa da vereadora Cícera Nogueira (PSB) de Mossoró. Onde antes floresciam aos montes fotos de propaganda do candidato a deputado federal João Maia (PL), há resquícios da colagem. Uma dor de cabeça para João administrar em sua estada hoje na cidade.

TERMÔMETRO – Mantendo o hábito de em toda campanha eleitoral circular bastante, em especial na periferia das cidades, faço uma constatação que as pesquisas científicas não alcançam: em pelo menos três municípios em que circulei, a partir de Mossoró, em duas regiões distintas do RN, ouvi gente se dispondo a espontaneamente “votar e trabalhar” à campanha ao Senado do ex-senador tucano Geraldo Melo (PSDB). Um sinalizador considerável.

PESQUISA – O que a pesquisa Consult/FM 96 postada por este Blog no sábado, 5, revelou, na corrida ao governo estadual, é que o quadro está claramente indefinido. A governadora Wilma de Faria consegue diminuir drasticamente a vantagem de Garibaldi Filho (PMDB) sobre ela, chegando a 6, 77%. Ela tirou a gordura excedente que Garibaldi possuía para enfrentar a campanha, antes da entrada em cena do palanque eletrônico. Contudo, se observa que a candidata não consegue desnutrir diretamente Garibaldi. O oposicionista mantém uma considerável cristalização de votos. Se a governadora não esfarelar essa massa de intenção de votos, mesmo reduzindo a distância não conseguirá ultrapassá-lo. Isso é fato.

OS FATOS – O pesquisador Wilson de Moura publicou material no jornal Gazeta do Oeste do domingo, que fundido a questões mais contemporâneas, pode ajudar a entender a linguagem à base de sofismas, tocada por setores da nossa política. Aparece na coluna do professor Wilson, foto da inauguração da Penitenciária Agrícola Mário Negócio, no governo Tarcísio Maia, o pai do senador José Agripino (PFL). O bom, é que muitos que aplaudiram a ‘realização’, hoje estão contra o Presídio Federal, por ser obra de “Lulinha Paz e Amor” e atribuído à governadora Wilma de Faria. O discurso politiqueiro também esquece que a Cadeia Manoel Onofre é obra da gestão Garibaldi Filho. Os xilindrós de Tarcísio e Garibaldi foram importantes e o presídio de Lula, não, por quais motivos? Como se vê, logo, o debate é meramente politiqueiro. Como sempre.

GERAIS

- O ótimo DJ Pedro Canísio não integra mais a FM 95 de Mossoró. Um desfalque seriíssimo à emissora, em face do talento do rapaz. Trabalhei com ele e posso atestar isso.
- Três veículos bateram simultaneamente na BR-110, saída de Mossoró para Areia Branca, com três vítimas gravemente feridas e dois em estado melhor, no domingo.
- Já no cruzamento da Avenida do Contorno com RN-117 (Mossoró-Governador Dix-sept Rosado), um condutor de moto modelo Bizz saiu bastante ferido, em batida numa Besta.
- Obrigado ao diretor do Instituto Índice, Cassiano Vidal; engenheiro Leopoldo Freire (Hepta Construções); Cely Melo (Departamento Comercial da TCM) e ex-deputado federal Frederico Rosado pelo acesso a este Blog.

SÓ PRA CONTRARIAR

Finalmente se descobriu por que a prefeita Fafá Rosado não admite em hipótese alguma acabar com o nepotismo em seu governo: é para não perder a validade do slogan da administração, o Mossoró “da Gente”. Deles, claro.

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