Dêem-se ao respeito! (IV)
Mossoró, 1985...
Ladeado pelo deputado federal e ex-senador Agenor Maria, o prefeito Dix-huit Rosado repete um de seus programas favoritos: mostra ao visitante no distante lugarejo denominado de “Alto da Pelonha”, nos limites da área urbana do município, uma obra majestosa.
Circulando entre as várias salas e compartimentos da estrutura do Abatedouro Frigorífico e Industrial de Mossoró (AFIM), Dix-huit tem olhos de menino. Eles brilham à medida que vai relatando detalhes técnicos do empreendimento.
Igualmente fluente, não obstante a distância em erudição para Dix-huit, ex-senador da República, Agenor Maria se revela encantado. Duas coisas em especial chamam sua atenção. A primeira é a visão de futuro do seu ilustre cicerone e ainda, a vasta cultura que ele revela com o passar do diálogo.
Não satisfeito com a aula, Agenor faz-lhe uma pergunta definitiva, na despedida: “Prefeito, em sua opinião qual é a redenção para o Rio Grande do Norte?”
Com seu estilo professoral, o prefeito que lapidou um perfil próprio para ser tratado como estadista, não entra em atalhos retóricos para responder ao interlocutor. Aponta caminho e razões: “Em verdade, é o aproveitamento das águas-mães”.
Despedindo-se do prefeito, Agenor comenta com um interlocutor que o acompanha em Mossoró: “É impressionante como Dix-huit tem um conhecimento amplo, como da economia, sendo apenas formado em Medicina”.
Mossoró, 2006...
Cícero, civilista, grande orador romano, a cada vez que se apresentava na tribuna para falar, magnetizava os presentes com sua elouquência. Seus discursos lançaram bases para o estudo gramatical do latim e à filosofia. Mesmo assim, em suas memórias, admitia que tudo era antecedido pela angústia, o frio na barriga, o suor em bicas. Contudo, era salvo pelo preparo que tivera em toda a vida.
Descabido se exigir de todo agente público, o político, que seja uma reprodução do orador da poderosa Roma. Contudo, não pode ser admitido como normal, a quem recebeu educação esmerada, nasceu em berço esplêndido e teve todas as oportunidades à formação do conhecimento, que seja antítese disso.
O processo de decadência da elite política mossoroense não está centrado apenas no quesito das virtudes morais. Está em evidência também, a pobreza de idéias, a indigência intelectual e a inapetência para o aprendizado. A soberba, a auto-suficiência e o entorno feito à base de sabujos, incapazes de apontar erros em quem só possui predicados, ajudam na perpetuação da ignorância.
Concorre para essa penúria, o próprio ambiente político paroquial em que Mossoró se transformou. Sem adversários, os Rosados tabelam entre si e decidem a cada eleição de que lado da família vai ficar o poder àquele tempo. A maior exigência que se faz, em campanha, é de pelo menos aprender a sorrir, dá acenos para o povo e abraçar meninos remelentos nas favelas. Programa de governo, projetos etc, para quê? Retórica, argumentação, lógica, dialética, cultura... Quem precisa disso?
Enquanto o embuste permanece nos limites da cidade, até se agüenta o conteúdo sofrível de nossos políticos, a exceção de alguns poucos. Contudo, quando a necessidade os leva a transpor esse campo territorial, não está em jogo apenas a imagem pessoal. Cada um é representante e símbolo da própria cidade. Envergonham-nos no coletivo. Aí dividem o pior conosco, nunca o bônus de ser poder, de ser governo.
A prefeita Fafá Rosado, mesmo tendo educação colegial e familiar impecável, é a mais legítima representante dessa legião de “Solineuzas” da política mossoroense. As gafes se multiplicam, produzindo um material folclórico riquíssimo. Em Natal, por exemplo, nas redações de jornais e no mundo mais intelectualizado, existem comunidades criadas - na internet - para trocar informações sobre tais deslizes. É um insulto à prefeita e mais ainda ao “mossoroísmo” vivo em todos nós.
Quanto à ex-prefeita Rosalba Ciarlini (PFL), candidata ao Senado, os longos anos de atividade política não foram suficientes para que possa dissertar com propriedade e segurança, sobre qualquer tema. Impera a superficialidade, chavões e bordões passados por marqueteiros. Numa campanha de maior envergadura, onde é obrigada a mostrar conteúdo, fica angustiantemente rezando para ser puxada para cima pelo companheiro de chapa, candidato a governador Garibaldi Filho.
Metida a cosmopolita, Mossoró não pode se conformar com esse modelo de representação política que abre mão da essência pelo conteúdo cosmético. O poeta e tradutor Mário Quintana afirmava: “O pior ignorante é aquele que aprendeu a ler e não lê”. Cai como uma luva entre muitos dos nossos políticos contemporâneos. Pobre civilização.
Dêem-se ao respeito! Mossoró não merece isso.
PRIMEIRA PÁGINA
DA GENTE – O prefeito Carlos Eduardo Alves (PSB), em Natal; o presidente da Assembléia Legislativa, Robinson Faria (PMN); o presidente da Câmara de Mossoró, vereador Júnior Escóssia (PFL); o presidente da Câmara de Natal, Rogério Marinho (PSB) e o governo do Estado com a governadora Wilma de Faria (PSB) tomaram decisão de demitir todos os parentes. Fim do nepotismo. Já em Mossoró, a prefeita Fafá Rosado (PFL) não dá entrevista sobre o assunto e o máximo que se viu, no saite www.zougue.com, é o titular da Controladoria (?), Noguchi Rosado, irmão da prefeita, afirmando que não sairá do cargo. Faz parte.
TRANSPARÊNCIA – Estamos propondo a criação de uma Organização Não-governamental (ONG) em Mossoró. A idéia é que siga o formato da “Transparência Brasil”. Seria uma entidade apartidária, das pessoas que adoram Mossoró – de graça – e que entendem ser necessário uma revisão nos hábitos políticos da terra. O cidadão voltando a ser o centro de tudo, esclarecido para fazer escolhas autônomas e fiscalizar, como numa autêntica democracia participativa, a atuação de quem é agente público.
EM NOME DO PAI – O Correio Braziliense saiu com registro retificando notícia sobre a Máfia dos Sanguessugas, que envolvia o ex-deputado Múcio Sá (PSB). A matéria que fora veiculada no sábado, afirmava que Múcio teria recebido recursos para aplicar na campanha da filha, em Mossoró, candidata a prefeito em 2004. O jornal agora diz que a grana fora na verdade para ajudar na campanha de Larissa Rosado (PSB, hoje) à prefeitura. Ela, como sabemos, filha de Laíre Rosado (PSB), ex-deputado federal. Ah, Mossoró resistente...
TREM – A Prefeitura de Mossoró consegue ter mais pessoas com cargos comissionados do que o próprio governo estadual. Num território com 167 municípios, o Estado possui pouco mais de 1.500. Já a Mossoró da gente salta bem além desses números. Ainda bem que nem todos trabalham e alguns moram fora da cidade e do Estado, se não seria impossível acomodar tanto DAS. Ô trem bãm!!
GERAIS
- Problemas com a conexão a internet estão comprometendo a postagem desta coluna mais cedo, no horário que nos programamos. Um pouco de paciência. Nós estamos tentando o mesmo com o setor técnico.
- Em face dos problemas técnicos, não teremos a Segunda Edição desta coluna hoje. Mas outras matérias serão postadas.
- Quem puder não deve deixar de prestigiar a Feira do Livro de Mossoró, na Estação das Artes. Hoje tem debate sobre jornalismo cultural com os jornalistas Leonardo Sodré, William Robson e Tobias Queiroz.
- Obrigado a Tércio Pereira (dirigente do PT em Mossoró), Cleima Fernandes (diretora do Jornal Página Certa), Osvaldo Barbosa (Santa Cruz-RN) e jornalista Jânio Rego (Feira de Santana-BA) pela leitura deste Blog.
SÓ PRA CONTRARIAR
Atire a primeira pedra quem, na elite política mossoroense, está com as mãos completamente limpas.
Mossoró, 1985...
Ladeado pelo deputado federal e ex-senador Agenor Maria, o prefeito Dix-huit Rosado repete um de seus programas favoritos: mostra ao visitante no distante lugarejo denominado de “Alto da Pelonha”, nos limites da área urbana do município, uma obra majestosa.
Circulando entre as várias salas e compartimentos da estrutura do Abatedouro Frigorífico e Industrial de Mossoró (AFIM), Dix-huit tem olhos de menino. Eles brilham à medida que vai relatando detalhes técnicos do empreendimento.
Igualmente fluente, não obstante a distância em erudição para Dix-huit, ex-senador da República, Agenor Maria se revela encantado. Duas coisas em especial chamam sua atenção. A primeira é a visão de futuro do seu ilustre cicerone e ainda, a vasta cultura que ele revela com o passar do diálogo.
Não satisfeito com a aula, Agenor faz-lhe uma pergunta definitiva, na despedida: “Prefeito, em sua opinião qual é a redenção para o Rio Grande do Norte?”
Com seu estilo professoral, o prefeito que lapidou um perfil próprio para ser tratado como estadista, não entra em atalhos retóricos para responder ao interlocutor. Aponta caminho e razões: “Em verdade, é o aproveitamento das águas-mães”.
Despedindo-se do prefeito, Agenor comenta com um interlocutor que o acompanha em Mossoró: “É impressionante como Dix-huit tem um conhecimento amplo, como da economia, sendo apenas formado em Medicina”.
Mossoró, 2006...
Cícero, civilista, grande orador romano, a cada vez que se apresentava na tribuna para falar, magnetizava os presentes com sua elouquência. Seus discursos lançaram bases para o estudo gramatical do latim e à filosofia. Mesmo assim, em suas memórias, admitia que tudo era antecedido pela angústia, o frio na barriga, o suor em bicas. Contudo, era salvo pelo preparo que tivera em toda a vida.
Descabido se exigir de todo agente público, o político, que seja uma reprodução do orador da poderosa Roma. Contudo, não pode ser admitido como normal, a quem recebeu educação esmerada, nasceu em berço esplêndido e teve todas as oportunidades à formação do conhecimento, que seja antítese disso.
O processo de decadência da elite política mossoroense não está centrado apenas no quesito das virtudes morais. Está em evidência também, a pobreza de idéias, a indigência intelectual e a inapetência para o aprendizado. A soberba, a auto-suficiência e o entorno feito à base de sabujos, incapazes de apontar erros em quem só possui predicados, ajudam na perpetuação da ignorância.
Concorre para essa penúria, o próprio ambiente político paroquial em que Mossoró se transformou. Sem adversários, os Rosados tabelam entre si e decidem a cada eleição de que lado da família vai ficar o poder àquele tempo. A maior exigência que se faz, em campanha, é de pelo menos aprender a sorrir, dá acenos para o povo e abraçar meninos remelentos nas favelas. Programa de governo, projetos etc, para quê? Retórica, argumentação, lógica, dialética, cultura... Quem precisa disso?
Enquanto o embuste permanece nos limites da cidade, até se agüenta o conteúdo sofrível de nossos políticos, a exceção de alguns poucos. Contudo, quando a necessidade os leva a transpor esse campo territorial, não está em jogo apenas a imagem pessoal. Cada um é representante e símbolo da própria cidade. Envergonham-nos no coletivo. Aí dividem o pior conosco, nunca o bônus de ser poder, de ser governo.
A prefeita Fafá Rosado, mesmo tendo educação colegial e familiar impecável, é a mais legítima representante dessa legião de “Solineuzas” da política mossoroense. As gafes se multiplicam, produzindo um material folclórico riquíssimo. Em Natal, por exemplo, nas redações de jornais e no mundo mais intelectualizado, existem comunidades criadas - na internet - para trocar informações sobre tais deslizes. É um insulto à prefeita e mais ainda ao “mossoroísmo” vivo em todos nós.
Quanto à ex-prefeita Rosalba Ciarlini (PFL), candidata ao Senado, os longos anos de atividade política não foram suficientes para que possa dissertar com propriedade e segurança, sobre qualquer tema. Impera a superficialidade, chavões e bordões passados por marqueteiros. Numa campanha de maior envergadura, onde é obrigada a mostrar conteúdo, fica angustiantemente rezando para ser puxada para cima pelo companheiro de chapa, candidato a governador Garibaldi Filho.
Metida a cosmopolita, Mossoró não pode se conformar com esse modelo de representação política que abre mão da essência pelo conteúdo cosmético. O poeta e tradutor Mário Quintana afirmava: “O pior ignorante é aquele que aprendeu a ler e não lê”. Cai como uma luva entre muitos dos nossos políticos contemporâneos. Pobre civilização.
Dêem-se ao respeito! Mossoró não merece isso.
PRIMEIRA PÁGINA
DA GENTE – O prefeito Carlos Eduardo Alves (PSB), em Natal; o presidente da Assembléia Legislativa, Robinson Faria (PMN); o presidente da Câmara de Mossoró, vereador Júnior Escóssia (PFL); o presidente da Câmara de Natal, Rogério Marinho (PSB) e o governo do Estado com a governadora Wilma de Faria (PSB) tomaram decisão de demitir todos os parentes. Fim do nepotismo. Já em Mossoró, a prefeita Fafá Rosado (PFL) não dá entrevista sobre o assunto e o máximo que se viu, no saite www.zougue.com, é o titular da Controladoria (?), Noguchi Rosado, irmão da prefeita, afirmando que não sairá do cargo. Faz parte.
TRANSPARÊNCIA – Estamos propondo a criação de uma Organização Não-governamental (ONG) em Mossoró. A idéia é que siga o formato da “Transparência Brasil”. Seria uma entidade apartidária, das pessoas que adoram Mossoró – de graça – e que entendem ser necessário uma revisão nos hábitos políticos da terra. O cidadão voltando a ser o centro de tudo, esclarecido para fazer escolhas autônomas e fiscalizar, como numa autêntica democracia participativa, a atuação de quem é agente público.
EM NOME DO PAI – O Correio Braziliense saiu com registro retificando notícia sobre a Máfia dos Sanguessugas, que envolvia o ex-deputado Múcio Sá (PSB). A matéria que fora veiculada no sábado, afirmava que Múcio teria recebido recursos para aplicar na campanha da filha, em Mossoró, candidata a prefeito em 2004. O jornal agora diz que a grana fora na verdade para ajudar na campanha de Larissa Rosado (PSB, hoje) à prefeitura. Ela, como sabemos, filha de Laíre Rosado (PSB), ex-deputado federal. Ah, Mossoró resistente...
TREM – A Prefeitura de Mossoró consegue ter mais pessoas com cargos comissionados do que o próprio governo estadual. Num território com 167 municípios, o Estado possui pouco mais de 1.500. Já a Mossoró da gente salta bem além desses números. Ainda bem que nem todos trabalham e alguns moram fora da cidade e do Estado, se não seria impossível acomodar tanto DAS. Ô trem bãm!!
GERAIS
- Problemas com a conexão a internet estão comprometendo a postagem desta coluna mais cedo, no horário que nos programamos. Um pouco de paciência. Nós estamos tentando o mesmo com o setor técnico.
- Em face dos problemas técnicos, não teremos a Segunda Edição desta coluna hoje. Mas outras matérias serão postadas.
- Quem puder não deve deixar de prestigiar a Feira do Livro de Mossoró, na Estação das Artes. Hoje tem debate sobre jornalismo cultural com os jornalistas Leonardo Sodré, William Robson e Tobias Queiroz.
- Obrigado a Tércio Pereira (dirigente do PT em Mossoró), Cleima Fernandes (diretora do Jornal Página Certa), Osvaldo Barbosa (Santa Cruz-RN) e jornalista Jânio Rego (Feira de Santana-BA) pela leitura deste Blog.
SÓ PRA CONTRARIAR
Atire a primeira pedra quem, na elite política mossoroense, está com as mãos completamente limpas.
Um comentário:
Parabéns pelo blog.
Adorei a prefeita 'Solineuza'... A poia.
Um abraço e sucesso.
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