Dêem-se ao respeito! (V)
“Dix-sept Rosado era uma vocação política. Um trator para trabalhar. Era o industrial do gesso que entrava em Mossoró, ou prefeito (1948) de Mossoró, guiando um caminhão. Algumas vezes o encontrei em Assu, Angicos, ele guiando um caminhão”. (Aluízio Alves, ex-governador do RN, ex-ministro da República, em depoimento sobre o também ex-governador potiguar)
Trabalhador incansável à frente do Instituto do Sal nos anos 60, o professor Vingt-un Rosado conclui período de gestão com rigor impecável e consideráveis conquistas para o segmento. Diante do legado deixado por Vingt-un, integrantes do setor industrial decidem consensualmente lhe fazer um agrado.
Reunidos com Vingt-un, que se sente surpreso com a visita da comitiva, o grupo escolhe um representante para lhe dar o comunicado: “Queremos agradecê-lo e para isso temos um carro 0km para lhe presentear.”
Ruborizado em face do inesperado gesto, Vingt-un não deixa o encontro esticar muito. É lacônico, porém mais do que claro:
- Senhores, muito obrigado. Não posso aceitar o presente. Apenas cumpri com minha obrigação ao realizar o meu trabalho.
Fim de papo.
Os dois episódios ilustram o comportamento dos filhos numerados e numerosos do patriarca Jerônimo Rosado, o paraibano de Pombal na Paraíba, que em 1890 aportou em Mossoró. Como quaisquer mortais, tinham suas idiossincrasias, auras de virtudes, mas com atitudes superlativas baseadas na atividade laboriosa e compromissos.
As dezenas, centenas e milhares de situações que poderiam ser contadas sobre a prole do ‘seu’ Rosado constroem um arquétipo familiar de incrível similitude entre si. Os chamados desvios de conduta, deslizes éticos ou degenerações na relação entre o indivíduo e seu universo social, não chegam a representar uma chaga. Contudo, o vínculo Rosado-poder institucional se afunila para um delta pantanoso.
Na atualidade, a imprensa – mesmo com omissões e casos de clara manipulação de fatos – revela que o clã Rosado está muito mais presente na empresa pública, do que na atividade produtiva. No passado era o inverso e em níveis mais sadios. Acusações, denúncias na mídia e formalizações legais contra supostos ilícitos, não são mais raridades entre os Rosados e agregados.
Se alguém tem dúvidas quanto a isso, é só procurar estar mais atento aos acontecimentos. As duas bandas em que se transformou o sistema familiar, homiziadas em partidos políticos, se dividiram para somar. Num primeiro momento histórico entre o final dos anos 70 e início da década de 80, parecia uma ardilosa estratégia política, em busca do poder. Nos últimos tempos revela uma feição menos edificante.
Os Rosados, com suas honrosas exceções, lotearam todos os compartimentos possíveis e imagináveis do Estado, da instituição pública. Mais do que eficiência voltada para o coletivo, eles vão se revelando vorazes parasitas, numa transfusão de valores do estatal para o privado, que é feita com a maior naturalidade. Em alguns casos, até com enorme cinismo, como se houvesse um direito adquirido.
O perfil de empreendedores, gente arrojada, de vanguarda e moldada para o terreno capitalista, cede vez a outro arcabouço desfigurado. “Os Rosados acabaram com o desemprego em Mossoró”, afirmava jocosamente no início dos anos 90, uma espécie de iconoclasta, o ex-deputado Mário Rosado, filho do ex-prefeito Dix-huit Rosado. Segundo ele, o feito da empregabilidade de 100% era restrito à própria família e agregados satélites.
Entre os poderes institucionais, autarquias estaduais e federais, há uma incontável hospedagem de Rosados. O critério da competência é atestado pelo registro de nascimento. É Rosado? Tá dentro. Muitos até empinam graduações universitárias, mas de pouca utilidade. Modestas cabeleireiras da periferia possuem diploma pendurados na parede de casa, com muito mais valor e serventia. Por lá se trabalha de verdade.
Não se sabe até quando Rosados do A e do B, continuarão a espoliar o que é do povo, em favor próprio. A mais nova descoberta, documentada, de que existe na Prefeitura de Mossoró um “folhaduto”, alimentando centenas de familiares, amigos e agregados, boa parte sem trabalhar, não causa surpresa. Enoja.
É inadmissível que um bando de janotas, preguiçosos e dondocas perfumadas, incapazes de produzirem o próprio sustento pelo labor, continuem sendo bancados pelo contribuinte. É acintoso, também, para o servidor de carreira que transpira mesmo, ter que sustentar uma elite que se imagina superior, mesmo improdutiva, burra e incompetente. Com as exceções de praxe, logicamente. Sim, elas existem.
Rosados que trabalham parecem produzir além da média. Pena que se apresentem hoje como minoria.
Na prática, o contribuinte – às vezes fiscalizado com um rigor draconiano, é quem paga a mesada desse magote imprestável, para que ele possa desfilar em salões grã-finos, ziguezaguear em carros importados e desdenhar quem lhes serve: o trabalhador.
A culpa disso tudo é da política, distorcida, que há décadas prospera neste território. Temos uma falsa democracia, que descamba para a asfixia da classe média com favores e achaques, acrescida do clientelismo de subsistência ofertado à pobreza.
“Dix-sept Rosado era uma vocação política. Um trator para trabalhar. Era o industrial do gesso que entrava em Mossoró, ou prefeito (1948) de Mossoró, guiando um caminhão. Algumas vezes o encontrei em Assu, Angicos, ele guiando um caminhão”. (Aluízio Alves, ex-governador do RN, ex-ministro da República, em depoimento sobre o também ex-governador potiguar)
Trabalhador incansável à frente do Instituto do Sal nos anos 60, o professor Vingt-un Rosado conclui período de gestão com rigor impecável e consideráveis conquistas para o segmento. Diante do legado deixado por Vingt-un, integrantes do setor industrial decidem consensualmente lhe fazer um agrado.
Reunidos com Vingt-un, que se sente surpreso com a visita da comitiva, o grupo escolhe um representante para lhe dar o comunicado: “Queremos agradecê-lo e para isso temos um carro 0km para lhe presentear.”
Ruborizado em face do inesperado gesto, Vingt-un não deixa o encontro esticar muito. É lacônico, porém mais do que claro:
- Senhores, muito obrigado. Não posso aceitar o presente. Apenas cumpri com minha obrigação ao realizar o meu trabalho.
Fim de papo.
Os dois episódios ilustram o comportamento dos filhos numerados e numerosos do patriarca Jerônimo Rosado, o paraibano de Pombal na Paraíba, que em 1890 aportou em Mossoró. Como quaisquer mortais, tinham suas idiossincrasias, auras de virtudes, mas com atitudes superlativas baseadas na atividade laboriosa e compromissos.
As dezenas, centenas e milhares de situações que poderiam ser contadas sobre a prole do ‘seu’ Rosado constroem um arquétipo familiar de incrível similitude entre si. Os chamados desvios de conduta, deslizes éticos ou degenerações na relação entre o indivíduo e seu universo social, não chegam a representar uma chaga. Contudo, o vínculo Rosado-poder institucional se afunila para um delta pantanoso.
Na atualidade, a imprensa – mesmo com omissões e casos de clara manipulação de fatos – revela que o clã Rosado está muito mais presente na empresa pública, do que na atividade produtiva. No passado era o inverso e em níveis mais sadios. Acusações, denúncias na mídia e formalizações legais contra supostos ilícitos, não são mais raridades entre os Rosados e agregados.
Se alguém tem dúvidas quanto a isso, é só procurar estar mais atento aos acontecimentos. As duas bandas em que se transformou o sistema familiar, homiziadas em partidos políticos, se dividiram para somar. Num primeiro momento histórico entre o final dos anos 70 e início da década de 80, parecia uma ardilosa estratégia política, em busca do poder. Nos últimos tempos revela uma feição menos edificante.
Os Rosados, com suas honrosas exceções, lotearam todos os compartimentos possíveis e imagináveis do Estado, da instituição pública. Mais do que eficiência voltada para o coletivo, eles vão se revelando vorazes parasitas, numa transfusão de valores do estatal para o privado, que é feita com a maior naturalidade. Em alguns casos, até com enorme cinismo, como se houvesse um direito adquirido.
O perfil de empreendedores, gente arrojada, de vanguarda e moldada para o terreno capitalista, cede vez a outro arcabouço desfigurado. “Os Rosados acabaram com o desemprego em Mossoró”, afirmava jocosamente no início dos anos 90, uma espécie de iconoclasta, o ex-deputado Mário Rosado, filho do ex-prefeito Dix-huit Rosado. Segundo ele, o feito da empregabilidade de 100% era restrito à própria família e agregados satélites.
Entre os poderes institucionais, autarquias estaduais e federais, há uma incontável hospedagem de Rosados. O critério da competência é atestado pelo registro de nascimento. É Rosado? Tá dentro. Muitos até empinam graduações universitárias, mas de pouca utilidade. Modestas cabeleireiras da periferia possuem diploma pendurados na parede de casa, com muito mais valor e serventia. Por lá se trabalha de verdade.
Não se sabe até quando Rosados do A e do B, continuarão a espoliar o que é do povo, em favor próprio. A mais nova descoberta, documentada, de que existe na Prefeitura de Mossoró um “folhaduto”, alimentando centenas de familiares, amigos e agregados, boa parte sem trabalhar, não causa surpresa. Enoja.
É inadmissível que um bando de janotas, preguiçosos e dondocas perfumadas, incapazes de produzirem o próprio sustento pelo labor, continuem sendo bancados pelo contribuinte. É acintoso, também, para o servidor de carreira que transpira mesmo, ter que sustentar uma elite que se imagina superior, mesmo improdutiva, burra e incompetente. Com as exceções de praxe, logicamente. Sim, elas existem.
Rosados que trabalham parecem produzir além da média. Pena que se apresentem hoje como minoria.
Na prática, o contribuinte – às vezes fiscalizado com um rigor draconiano, é quem paga a mesada desse magote imprestável, para que ele possa desfilar em salões grã-finos, ziguezaguear em carros importados e desdenhar quem lhes serve: o trabalhador.
A culpa disso tudo é da política, distorcida, que há décadas prospera neste território. Temos uma falsa democracia, que descamba para a asfixia da classe média com favores e achaques, acrescida do clientelismo de subsistência ofertado à pobreza.
Como definia a estudiosa Hannah Arendt em “As origens do totalitarismo” (1951), temos uma triste “solidão organizada das massas”, vitimada pela frieza dos poderosos que adoram a Mossoró da gente. Tem sido assim.
Dêem-se ao respeito! Mossoró não merece isso.
PRIMEIRA PÁGINA
DA GENTE – O adjunto da Secretaria de Agricultura do RN, Elpído Carvalho, fiel seguidor do rosadismo, é quem vem assinando todos os atos inerentes ao titular da pasta, ex-deputado federal Laíre Rosado (PSB). Quem der uma olhadinha no Diário Oficial do Estado notará essa situação estranha. Por que Laíre Rosado não assina a documentação afeita à titularidade do cargo? Estranho, muito estranho.
NÉLIO – Os parabéns ao deputado federal Nélio Dias (PP). Anunciado num rol de jornais, saites, Blogs (inclusive este), rádios, TV’s etc como envolvido no escândalo dos Sanguessugas, ele foi exumado à vida límpida pela própria CPI. Seu nome não apareceu entre os envolvidos-denunciados. Ótimo para ele, a quem damos os parabéns, e ao próprio RN, que já não suporta mais tanta corrupção em meio à sua classe política. Para alguns, mais do que mandato eletivo, se compra o foro privilegiado e a imunidade, para ludibriar a justiça. Um dia esta terra ainda vai cumprir seu ideal.
PARA LEMBRAR – Frase do patriarca Jerônimo Rosado, que todos os netos, parentes e outros aderentes deveriam levar a sério: “Aos filhos, deixo o meu exemplo”. Ah, o exemplo a que se referia ‘seu’ Jerônimo era bom – e não o do comportamento promíscuo, do furto qualificado e tipificado da empresa pública.
LIDERANÇA – Sem a caneta da Prefeitura de Mossoró diretamente em sua mão, ou através da mulher Rosalba Ciarlini (PFL), o ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado (PFL) está sentindo como é difícil ser líder. Na Câmara Municipal de Mossoró não há um único vereador, dos 13 da casa, apoiando a candidatura de sua cunhada e nome à reeleição a deputado estadual, Ruth Ciarlini (PFL). Quanto ao seu irmão Betinho Rosado (PFL), que disputa o quarto mandato de federal, a sangria também é considerável. Carlos anda tratando alguns como “traidores”, especialmente as vereadoras Arlene de Souza (PFL) e Gilvanda Peixoto (PFL).
VISTO – Como o visto de permanência na Europa não pode exceder os 89 dias, portanto menos de três meses, “Ceição” cumpre temporadas no Velho Continente dentro deste tempo. Quanto à remuneração, o Palácio da Ineficiência no Mundo Mágico de Nós o garante mensalmente, sem qualquer dificuldade. Ceição é outro caso de onipresença, só que numa dimensão inimaginável: consegue estar na Europa e em Mossoró ao mesmo tempo, “trabalhando” em dois endereços ao mesmo tempo, separados pelo enorme Oceano Atlântico.
MP – Vítima de sucessivas tentativas moleques da elite política brasileira para amordaçá-lo, o Ministério Público deste país é uma das salvaguardas do interesse nacional. O cidadão honesto precisa confiar em seus agentes, apostando que o ‘parquet’ não se furtará a agir sob a égide da Constituição e em nome das aspirações da sociedade civil. Nós confiamos no MP, essa deve ser a corrente de fé e crédito.
ANOTE AÍ – Um dos nossos informantes infiltrados na fortaleza do Mundo Mágico de Nós, o “Palácio da Ineficiência”, avisa-nos que há um interesse em se processar este jornalista. Para mim será a realização. Ser processado por quasímodos morais, exemplares fossilizados da nossa “mediocracia monocromática”, é um atestado de hombridade pessoal. Meu temor é ser processado por gente de bem como o advogado Tarcísio Jerônimo, padre Sátiro Dantas, professora Jacy Gurgel, reitor Milton Marques, jornalista Givanildo Silva, Irmã Helen, Zé Maria da banca de revistas da Rádio Rural, pediatra Dix-sept Rosado, fiscal de tributos municipais Édson Pinheiro, comerciante Ivo Lopes ou o popular “Paulo Doido”, entre outros. Anote aí o endereço para citações e intimações judiciais, por favor: Rua Desembargador José Mozart E. Menescal, 1734, Santa Delmira I. Fiquem à vontade.
GERAIS
- O mossoroense e jogador de futebol Paulo Júnior (campeão pelo Potiguar em 2004), que atua na França, está se casando por aqui. Depois deverá fazer temporada na Europa ou Arábia Saudita.
- Candidato a governador do Acre, pelo PSOL, o advogado mossoroense José Wilson Mendes Leão é filho do médico José Leão, figura emblemática na medicina e no futebol da terra de Santa Luzia.
- Um acidente de carro em Brejo Santo na Paraíba, ontem às 23h, causou a morte da senhora Maria Vicente de 91 anos, tia do prefeito de Pilões. Outras quatro pessoas saíram feridas. O veículo em que viajavam capotou várias vezes, quando ia para Pilões. Os feridos estão em Pau dos Ferros.
- A prefeita Fafá Rosado (PFL) inaugura uma unidade básica de saúde hoje às 18h, no Conjunto Vingt Rosado.
- Paciência, webleitor. Estamos com contínuos problemas de alimentação na rede mundial, a Internet. Por isso, atraso na postagem de nosso material.
- Obrigado ao jornalista Alessandro Oliveira (O mossoroense), advogado Paulo Lopo Saraiva, ao grande areia-branquense Francisco Rodrigues e a Fernando Lins (Sal Maranata) pela leitura deste Blog. Penhoradamente, humildemente, agradeço.
SÓ PRA CONTRARIAR
Quem controla a Controladoria Municipal de Mossoró?
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