Manoel Duarte – Nosso herói
Quem foi Manoel Duarte, na história de Mossoró? Quem foi Jararaca? E Lampião? Qual das perguntas seria respondida com facilidade pelo estudante de segundo grau de nossa cidade? Ou pelo universitário? Ou se por acaso abordássemos um transeunte, que resposta ele daria?
Lampião é estudado, pesquisado, revirado e discutido. Jararaca, idem. A cova deste virou local de romaria em nosso cemitério... A manifestação popular surge de formas as mais variadas, eu sei. Sei também, que o cangaço desperta o interesse de estudiosos sérios e comprometidos com a pesquisa histórica e suas variáveis. O meu questionamento é no sentido de olharmos até que ponto não houve um culto em torno dos que tentaram invadir nossa cidade, em detrimento a quem nos defendeu...
Rodolfo Fernandes, Prefeito valente e determinado, ainda é pouco lembrado pelo que fez... E aqueles que atenderam ao chamado do alcaide no longínquo 1927 para lutar pela cidade? O que faziam em suas vidas particulares? Quem já lhes prestou uma homenagem? Afora a placa colocada pelo Prefeito Alcides Fernandes da Silva, no jardim lateral da Capela de São Vicente, não tenho noticia de manifestação publica de apreço e reconhecimento aos heróis mossorenses.
Exemplifico na pessoa de Manoel Duarte Ferreira (1895-1982). Será que sua pontaria certeira, fulminando um dos cangaceiros, não foi determinante para o recuo do bando naquele momento critico? E já foi analisado que, por trás de sua disposição de compor a trincheira, existia uma vida pacata, digna e dedicada a sua família e sua oficina? A atitude de Manoel Duarte é simbólica, mas representativa e merece destaque.
Quando vejo alguns nomes em escolas, ruas e avenidas, fico sempre a perguntar: Quem foi? O que fez? Subiria esse homenageado no alto da torre para lutar por sua cidade? Arriscaria a própria vida? Deixaria sua família para vir lutar por todos de sua comunidade? Ou iria preferir resguardar-se em atitude isolada?
Os filhos, netos e descendentes de Manoel Duarte, e dos outros anônimos heróis, não precisam de fanfarras para guardar seus exemplos como legado... Mas Mossoró, sempre tão libertária, ousada e inquieta, bem que poderia resgatar, como dever de justiça, a verdadeira saga desses homens e, assim procedendo, reveria alguns conceitos de heroísmos e homenagens...
David de Medeiros Leite, advogado (david.leite@uol.com.br)
Artigo publicado em 12/outubro/2003. no Jornal O Mossoroense
Quem foi Manoel Duarte, na história de Mossoró? Quem foi Jararaca? E Lampião? Qual das perguntas seria respondida com facilidade pelo estudante de segundo grau de nossa cidade? Ou pelo universitário? Ou se por acaso abordássemos um transeunte, que resposta ele daria?
Lampião é estudado, pesquisado, revirado e discutido. Jararaca, idem. A cova deste virou local de romaria em nosso cemitério... A manifestação popular surge de formas as mais variadas, eu sei. Sei também, que o cangaço desperta o interesse de estudiosos sérios e comprometidos com a pesquisa histórica e suas variáveis. O meu questionamento é no sentido de olharmos até que ponto não houve um culto em torno dos que tentaram invadir nossa cidade, em detrimento a quem nos defendeu...
Rodolfo Fernandes, Prefeito valente e determinado, ainda é pouco lembrado pelo que fez... E aqueles que atenderam ao chamado do alcaide no longínquo 1927 para lutar pela cidade? O que faziam em suas vidas particulares? Quem já lhes prestou uma homenagem? Afora a placa colocada pelo Prefeito Alcides Fernandes da Silva, no jardim lateral da Capela de São Vicente, não tenho noticia de manifestação publica de apreço e reconhecimento aos heróis mossorenses.
Exemplifico na pessoa de Manoel Duarte Ferreira (1895-1982). Será que sua pontaria certeira, fulminando um dos cangaceiros, não foi determinante para o recuo do bando naquele momento critico? E já foi analisado que, por trás de sua disposição de compor a trincheira, existia uma vida pacata, digna e dedicada a sua família e sua oficina? A atitude de Manoel Duarte é simbólica, mas representativa e merece destaque.
Quando vejo alguns nomes em escolas, ruas e avenidas, fico sempre a perguntar: Quem foi? O que fez? Subiria esse homenageado no alto da torre para lutar por sua cidade? Arriscaria a própria vida? Deixaria sua família para vir lutar por todos de sua comunidade? Ou iria preferir resguardar-se em atitude isolada?
Os filhos, netos e descendentes de Manoel Duarte, e dos outros anônimos heróis, não precisam de fanfarras para guardar seus exemplos como legado... Mas Mossoró, sempre tão libertária, ousada e inquieta, bem que poderia resgatar, como dever de justiça, a verdadeira saga desses homens e, assim procedendo, reveria alguns conceitos de heroísmos e homenagens...
David de Medeiros Leite, advogado (david.leite@uol.com.br)
Artigo publicado em 12/outubro/2003. no Jornal O Mossoroense
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