domingo, agosto 06, 2006

Artigo

“Folhaduto”

O escândalo do "Foliaduto" no governo Wilma de Faria deixou o Estado surpreso pelo modus operandi característico de quem não teme a justiça e de que tem a certeza da impunidade. O caso impressionou muita gente, pela quantia de quase R$ 2 milhões pagas a bandas fictícias, que nunca foram contratadas.

Aqui, em Mossoró, essa certeza também está evidente quando se avalia algumas ações do governo municipal.

A resistência do município em não entregar a folha de pagamento de seus servidores ao Ministério Público não é por acaso. Por trás dos argumentos técnicos e jurídicos esconde-se uma prática de favorecimentos a familiares, afins, aliados e bajuladores do poder - que assume proporções desmedidas.

Um rápido levantamento feito pelo jornal Página Certa (www.jornalpaginacerta.com.br) - que teve acesso a documentos exclusivos - dão conta de que o montante do "Foliaduto" é 'café pequeno', se comparado com os valores decorrentes dos cargos de DAS da prefeitura de Mossoró - que são destinados a milhares de favorecidos.

Além da pilhagem, há uma agravante falta de respeito para com o contribuinte mossoroense e para com os servidores de carreira e os DAS da prefeitura que trabalham honestamente e dedicam todo o seu empenho ao serviço público.

A sangria da enorme quantia, que é canalizada para irrigar os bolsos de quem não trabalha, poderia servir para a melhoria de salário e capacitação daqueles que realmente trabalham e fazem a máquina do governo funcionar.

Está passando da hora para que o Ministério Público esclareça à população o que realmente acontece com a quantidade exacerbada de cargos comissionados na folha de pessoal do município e o porquê de tamanha facilidade. Divulgar também sob quais critérios são contratados os tais DAS.

Idem, para o Tribunal de Contas do Estado - que aprova, sem quaisquer restrições, anualmente, as contas da Prefeitura de Mossoró, sem sequer terem sido publicadas e aprovadas pela Câmara Municipal, como determina a Lei de Responsabilidade Fiscal.

O que deveria ser transparente, na prática, vira inacessível para toda a população. Conseguir informação dos poderes, em Mossoró, é um exercício de muita paciência e até mesmo de alta investigação. Não devia ser assim.

Numa analogia ao escândalo protagonizado pela Fundação José Augusto, podemos suspeitar que haja um "folhaduto" em Mossoró - que irriga os bolsos dos apaniguados do poder.

Carlos Duarte, diretor-geral do semanário Página Certa

Nenhum comentário:

Comunicado final deste Blog Jornalístico

A partir de hoje, um novo endereço na Internet responde pelo trabalho jornalístico que procuro desenvolver neste universo virtual. Depois de...